Muitos homens que realizaram a vasectomia em algum momento da vida acabam repensando essa decisão anos depois. Novas relações, mudanças de planos familiares ou até o simples desejo de ter outro filho despertam a dúvida. Será que é possível reverter a vasectomia pelo SUS?
Tecnicamente, sim. Porém, na prática, a reversão de vasectomia não é oferecida de forma padronizada pelo Sistema Único de Saúde, por ser considerada um procedimento de alta complexidade e finalidade não emergencial.
Neste artigo, você vai entender por que a reversão é um processo tão restrito na rede pública, quais são os critérios técnicos e legais, quais alternativas existem na rede particular e como médicos especializados avaliam essa demanda crescente entre os pacientes.
O que é a reversão de vasectomia?
A reversão de vasectomia é uma cirurgia chamada vasovasostomia, na qual o médico reconecta os canais deferentes previamente cortados durante a vasectomia. O objetivo é permitir novamente a passagem dos espermatozoides e, com isso, restabelecer a fertilidade do homem.
Essa cirurgia é mais delicada do que a própria vasectomia. Envolve microcirurgia com o uso de microscópio, instrumentos de alta precisão e uma equipe médica especializada. Por isso, seu custo é elevado e o acesso pelo SUS é extremamente restrito.
Por que o SUS não realiza a reversão de forma ampla?
O Sistema Único de Saúde prioriza procedimentos considerados essenciais, preventivos ou de risco imediato à saúde do paciente. Como a reversão da vasectomia tem finalidade eletiva e está relacionada à escolha reprodutiva individual, ela não faz parte do rol de cirurgias com oferta obrigatória pelo SUS.
A lógica do sistema é garantir o acesso à vasectomia como parte do planejamento familiar, mas não à reversão, que é vista como uma demanda pessoal, sem urgência médica.
Além disso, a cirurgia exige estrutura avançada e profissionais com treinamento específico, o que torna a oferta ainda mais limitada nos hospitais públicos.
Em quais situações o SUS pode considerar a reversão?
Existem raríssimos casos em que a reversão pode ser solicitada administrativamente, por meio de encaminhamento médico e análise da secretaria municipal ou estadual de saúde. No entanto, mesmo nesses casos, não há garantia de aprovação.
Situações que podem ser analisadas:
- Homens que realizaram a vasectomia precocemente e mudaram de contexto familiar
- Problemas emocionais graves associados ao arrependimento
- Casos judicializados com decisão favorável para liberação do procedimento
- Hospitais universitários com projetos de pesquisa que incluem cirurgias de reversão
Mesmo com justificativa médica e laudos psicológicos, a maioria dos pedidos é negada por falta de protocolo específico no SUS para esse tipo de cirurgia.
Como é feita a reversão da vasectomia na prática?
A vasovasostomia é feita sob anestesia, com duração média de duas a três horas. O médico utiliza instrumentos de microcirurgia para reconectar os canais deferentes, costurando as extremidades com fios extremamente finos.
A taxa de sucesso depende de vários fatores:
- Tempo desde a vasectomia (quanto menor, maiores as chances)
- Tipo de técnica usada na vasectomia original
- Qualidade do tecido local e ausência de obstruções
- Idade do paciente e da parceira
- Presença de espermatozoides ativos no local reconectado
Os resultados são melhores quando a reversão é feita até cinco anos após a vasectomia. Depois de dez anos, as chances diminuem significativamente.
A reversão feita na rede particular
Diante da quase inexistência do procedimento no SUS, muitos homens recorrem à rede privada. Clínicas especializadas em urologia e reprodução humana oferecem a cirurgia com técnicas modernas e alta taxa de sucesso.
Valores estimados da reversão de vasectomia em 2026:
| Tipo de Atendimento | Valor Médio Praticado |
| Clínicas de urologia convencionais | R$ 9.000 a R$ 14.000 |
| Centros de reprodução humana | R$ 15.000 a R$ 22.000 |
| Hospitais privados de referência | Acima de R$ 20.000 |
O valor pode incluir anestesia, equipe médica, uso de microscópio cirúrgico e acompanhamento pós-operatório. Alguns centros também oferecem exames complementares e monitoramento da fertilidade ao longo dos meses seguintes.
Alternativas à reversão cirúrgica
Nem sempre a cirurgia de reversão é a melhor ou única opção. Homens que desejam ter filhos após uma vasectomia podem considerar outras alternativas, como a retirada direta de espermatozoides dos testículos para fertilização in vitro.
Essa técnica é chamada de aspiração espermática e costuma ser utilizada em conjunto com procedimentos de reprodução assistida. Ela pode ser uma alternativa mais viável em casos onde a reversão não tem boas chances de sucesso.
Principais métodos disponíveis:
- PESA: aspiração percutânea de espermatozoides
- TESA: extração testicular por biópsia
- MESA: aspiração microcirúrgica do epidídimo
- Fertilização in vitro com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide)
Esses métodos também são realizados na rede particular, com valores que variam conforme a clínica e a complexidade do caso.
O que diz o especialista
O urologista Dr. Julliano Guimarães, que colaborou para a construção deste conteúdo, explica que a reversão da vasectomia é uma cirurgia altamente técnica, com custo elevado e taxa de sucesso variável, o que torna sua oferta pelo SUS quase inviável dentro das prioridades do sistema público.
Segundo ele, muitos pacientes o procuram após não conseguirem acesso ao procedimento na rede pública. Nesses casos, o Dr. Julliano orienta que o casal avalie tanto a cirurgia de reversão quanto as técnicas de reprodução assistida antes de decidir.
Ele também destaca que, em comparação com o custo da vasectomia simples, que muitas vezes é feita gratuitamente pelo SUS, a reversão exige um investimento muito superior, o que reforça a importância de tomar a decisão da esterilização definitiva com total consciência.
Vasectomia e reversão: decisões diferentes, caminhos distintos
Enquanto a vasectomia é um direito garantido por lei como parte do planejamento familiar, a reversão é considerada uma exceção médica e não tem cobertura obrigatória pelo Estado.
Por isso, antes de realizar a vasectomia, é fundamental:
- Ter certeza de que não deseja mais filhos
- Conversar abertamente com o parceiro ou parceira
- Avaliar alternativas temporárias, como preservativos ou anticoncepcionais
- Entender que a reversão pode ser cara, demorada e nem sempre eficaz
A decisão deve ser madura e definitiva. Casos de arrependimento são mais comuns do que se imagina, especialmente quando a cirurgia é feita muito jovem ou por pressão externa.
Considerações finais
Embora seja tecnicamente possível reverter uma vasectomia, o procedimento não está amplamente disponível pelo SUS, e dificilmente é autorizado nos serviços públicos por se tratar de uma cirurgia eletiva, de alta complexidade e com finalidade pessoal.
Para a maioria dos homens, a única maneira de buscar a reversão é por meio da rede particular, o que exige planejamento financeiro e consulta com médicos especializados. Em alguns casos, técnicas de reprodução assistida podem oferecer caminhos alternativos com bons resultados.
Se você está considerando a vasectomia, ou se já fez e agora cogita a reversão, o mais indicado é conversar com um urologista de confiança. A informação e o acompanhamento profissional são os melhores aliados para tomar decisões seguras e conscientes sobre sua fertilidade.
Fonte imagem – gemini.google.com
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